domingo, 9 de novembro de 2014

O Anjo.

O Anjo.
Eu vi um anjo certa vez.
Ele estava escondido as sombras de uma alta torre, a torre da igreja, que se erguia muito acima de todos nos, alguns diziam que seu pináculo tocava as nuvens.
E ele estava lá, sentando, e com o rosto entre os joelhos, suas asas... a elas eram negras, mesmo a forte luz da lua, e ele tinha longos cabelos negros, que pendiam soltos, a mercê da brisa noturna, mais não era um sonho, acho.
Eu caminhava desolado pelos becos escuros lá em baixo, as nuvens que passavam lentamente e quase paravam sob a lua, escureciam ainda mais meu caminho, pelos becos sem luz.
Haviam muitos como eu? Acho que não.
Mais ao menos nos os loucos sabemos o que realmente é real, e aquela visão era, posso afirmar, e ele... bem ele me viu. E foi como se estivéssemos separados por nada mais do que alguns passos, pois vi as lagrimas escorrem por seu rosto pálido, e acho que para ele minha expressão não foi das mais amáveis.
Ele se pós de pé, deu curtos passos pela beirada, como se estivesse a poucos centímetros do chão, e depois, quando uma nuvem passou deixando-o nas sombras por apenas um instante, ele sumiu.
E nada mais era como antes, as sombras, eram diferentes, e não havia nada onde ele estivera, nada, nada além de uma longa e negra pena, que rodopiou na brisa, dançando, e foi caindo preguiçosamente, eu corri, o máximo que pude, e pouco ante da bela pena negra atingir o chão me atirei... como tudo, agarrando-a e protegendo-a, e como ela eu estou ate hoje.
Não sei que mensagem o renegado anjo negro carregava, ou o motivo de suas lagrimas, mas gosto de pensar que mesmo minha cara de espanto lhe transmitiu algo, algo diferente, e algo que só meu coração conhecesse.
E onde estiver anjo negrooro por ti, e imploro que rogue por mim, eu seu cumplice, eu seu amigo, pois segue em mim, mesmo que não o veja mais, segues em mim.

B.M.  

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