sábado, 6 de dezembro de 2014

Coragem


Os olhos que me olham, retiram de mim todo ímpeto, a duvida que me inibe de conta-lhe os segredos mais íntimos de meus sonhos, toma-me por fraco, sei, mais é a dor que consome o peito de todos como eu, não  interessa  se muitos ou poucos, e mesmo você senhor de se, teme a negação, não ha coração que a aceite, e sua rejeição consome mesmo os mais fortes.
Não encontrei mau que me detivesse, mesmo barreira que me fizesse desviar, mais estes olhos me impedem, impedem de contar-lhe... consumindo  a coragem que tanto demorei a reunir, repelido pelo simples brilho de tão doces lhos, repelido por temer que não mais me possam olhar da forma que me olham neste instante, mais é igualmente lancinante sonhar com tuas caricias, vela, ouvi-la chamar meu nome e não reivindica-la por minha.

Coragem, por que me falta, se esta covardia a mim tortura, fere carne e alma, desfigurando os doces sorrisos que irradiam ternura, do quente vento oeste de verão ao gélido tempestuoso norte do inverno em sua ausência.

sábado, 29 de novembro de 2014

Sonho.


Era uma noite fria, a lua cheia brilhava, lançando estreitos filetes de luz por entre as falhas do telhado, não havia muito, paredes de pedra de um quarto quase vazio, uma cama com dossel empoeirada, uma penteadeira de madeira escurecida pelo tempo, com o espelho quebrado, eu o olhava, mas o reflexo que se desvanecia sobe as camadas de pó, não passava de uma sombra, um vulto, o vento soprava forte, e a janela batia, e através dela os uivos do vento me chamavam, como um sussurro que resvalava dentro do peito, me guiando para o brilho prateado da noite lá fora, e pela janela via um campo de capim cor de bronze que dançava a mercê da brisa tempestuosa, uma orla de altas arvores tinham seus galhos  meio verdes meio ocre e âmbar açoitados pelo vento.
Não sei ao certo quanto tempo fiquei olhando os padrões se desenrolarem no capim, na verdade não sabia á quanto tempo estava ali,  aquele lugar desolado e sombrio, parecia sugar o que restava de conciencia, mas em algum momento, passos que vinham pela porta me despertaram novamente, passos leves e suaves, quase imperceptíveis, a não ser pelo ranger das taboas do piso e o estalar dos pregos enquanto o caminhar continuava, tornando-se mais altos, mas próximos, mais reais, e meu coração martelava, a cada passo que ouvia, pois aqui o tempo não passava, aqui não havia nada e por aquele segundo apenas vi das sombras surgir o reflexo de sonhos perdidos e desesperados.
A porta se abriu, uma mulher estava do outro lado do portal, seu rosto encoberto pelas sombras com longos cachos cascateando por sobre os ombros, olhos de um castanho esverdeado que faiscavam, captavam e refletiam milhões de vezes a luz prateada da lua, era a única coisa que via no breu. Não fazia idéia de que era ela, mas já há vi antes, seus olhos ao menos, tinha certeza de ser invisível, eu não estava ali, não podia estar, e essa certeza  fez como que meus olhos se fixassem nos dela, um longo segundo se passou, um segundo que pareceu se arrastar docemente enquanto a encarava,  buscava registrar cada detalhe que a envolvia, um vestido longo que se perdia na semi escuridão, cobria dês de o colo aos pés, mangas longas ate os punhos cobriam seus braços, a garota , quem quer que fosse, deu um passo me trazendo de volta do exame detalhado, aos poucos a certeza de que ela não me via se esvaia, os olhos de matizes castanho esverdeados queimavam meu rosto,olhando para mim, ela me via,e mesmo o som do vento que uivava na noite desapareceu abafado pelas batidas que enchiam meu peito..
Durante todo o tempo que estive aqui senti como se não existisse, não havia nada, nem a menor sensação, tudo era escuro e vazio, como se eu mesmo não passasse de uma sombra um eco, talvez uma recordação, mas naquele momento o vazio o vácuo foi preenchido com  os matizes da aurora, naqueles olhos... que me viam, seus dedos se entrelaçaram nos meus, antes mesmo que pudesse reagir, trazendo-me a consciência de meu próprio corpo, seu calor afastando o frio que  os tornará dormente, morto, e seu aperto fechou-se em minha mão como se fosse sua segurança, como se precisasse ter certeza de que não estava só, e seu toque me despertou dos devaneios e da incerteza.
Seu peito subia e descia, me fazendo tomar consciência agora de seu próprio corpo, e o senti se aproximando cada vez mais do meu, seu rosto estava baixo escondendo de mim seus olhos, contra meu peito, e quando senti seu toque foi como se precisasse sentir as batidas do meu coração, sua respiração de encontro a uma fina camisa que usava, e seus olhos tomaram os meus, uma mistura quase mística de cores, uma profusão de  castanho, âmbar e verde luminoso, seu nariz afilado e pequeno, frágil, as maçãs do rosto e os lábios finos que se curvaram num sorriso doce que tinha como moldura longos cachos castanhos dourados que caiam sobre os ombros e desciam pelas costas .
A mão livre, fez o caminho da minha cintura subindo pelo meu peito temerosa, assustada, desconfiada ate se firmar em meu ombro, eu... eu não suportei, a envolvi em meu abraço, e fui correspondido quando seus braços se fecharam em torno de meu pescoço,  se segurando com se sua vida dependesse disso.
Seus lábios alcançaram os meus num beijo terno, cálido e detido, senti seu peito subir e descer de encontro ao meu, e o que era terno tornou-se ávido, o que era cálido tornou-se desesperado e o que era detido, livre, seus braços apertando-nos como se pudéssemos fundir-nos, uma carne, uma alma.


domingo, 9 de novembro de 2014

Veneno.

Veneno
Sela meus lábios com os teus, sela meus lábios com os teus e grita que serei eternamente seu.
Sela meu lábios com os teus, e deixa que o veneno doce escorra em minha boca.
Sela meus lábios com os teus e tira de mim o ar para que não possa respirar.
Deixa que teu veneno me encha de desejo.
Desejos da carne.
Desejos da alma.
Sela meus lábios com os teus e rouba minhas lembranças, meu passado.
Rouba de mim as expectativas, para que não aja futuro.
Rouba de mim o medo, para que aja apenas seus beijos.
Faz que me esqueça de quem sou, e esqueça quem es.
Por que só existe quem somos.
Por que só existe o agora.
Somos o presente.
Embriagados de veneno.
Daquele para o qual não existe antídoto.
Daquele cuja pena e a loucura.
E cuja o preço e a morte.
Envenena-me.
Pois de bom grado me integra a teus lábios.


B.M.  

Arabescos.

Lamina sagas.
Que queima em minhas mãos.
Arabescos forjados.
Em sangue e fogo.
Em cuja pedra negra encandece.
Num horizonte vermelho.
De sangue e glorias.
De um passado marcado.
Busco a sabedoria.
Dos meus antepassados.
Batalhas de honra.
Batalhas de orgulho.
Batalhas de ódio.
Trava em mim.
Lamina mortal.
Do sangue que pulsa em minhas veias.
Ao que escorre por minha lamina.
Rogo pela praga letal.
juras em fim.
E pelos arabescos gravados na carne.
Gravados na alma.
Raios de luz.
Luz de runas.
Trilhe no céu.
Caminho fiel.
Da batalha a liberdade da gloria.
E da gloria a memória.
dos pecados que cometemos.
E pelos sonhos que perdemos.

B.M.

Suplica

Suplica
Deixe, lhe suplico, deixe, que trace por teu corpo, trilha de caricias incandescentes, por tua alma, vontade de pertencer indecente.
Deixe, que de nossos corpos seja gerada a possessão, de almas desamparadas, e desta por fim, seja criada nossa era de viver e não mais padecer em desalento e solidão, por que mentir, se em nos vivem as chagas de tal traição,sussurros de nossos corações orgulhos, estes que anseiam pela devassidão  de nosso toque.
Do calor que percorre minhas veias, ao arrepio que teus dedos provocam com suas caricias.
Deixe, que meus lábios descrevam por teu corpo o próprio desejo de nosso destino, que seja comigo, pois serei com tigo, e destas linhas nascidas do âmago de minha ausência, desejo, suplico.

Deixa.
B.M.

sufocado.

sufocado.
Escrevo linha após linha, na esperança de abafar as batidas do meu coração.

De sufocar sentimentos e medos, dores e desejos.

Que mal é esse que me aflige?

Que pesar é esse que martiriza meus sonhos?

Que devaneios e visões são esses que atormentam meus dias?

Flashes me confundem.

Olhos que me olham.

Lábios sussurrantes.

Caricias aveludadas.

Toque ávidos e desesperados.

Frágeis braços que  envolvem meu pescoço.

Num abraço sedutor.

Um corpo estranho ao qual desejo tão avidamente descobrir.

Pele macia e morena, corpo pequeno e suave de curvas perigosas.

Uma massa de cachos no qual me perco.

Meu medo, meu desejo.

Resisto, me contenho, e em desespero, me perco.

Minhas barreiras se rompem, minha resistência esmorece.

Meus braços a envolvem.

Nossos lábios se tocam, leves e desconfiados.

Uma caricia roça minha nuca, desse suave, uma mão em meus cabelos e a outra espalmada sobre meu peito.

Seu beijo, doce, perigoso, me enlouquece.

Que mal e esse que me aflige?

Desejo que grita e ura descontrolado.

Que pesar e esse que martiriza meus sonhos?

Saber o que passou, e angustia de não saber o que virá.

Que miragens e visões são essas que me atormentam?

É a imagem dela.

Seus olhos nos meus.

Nossos lábios separados.

Nossos corpos mais distantes do que suporto.

Nossos sentimento pairando no ar.

Tão palpáveis.

Tão reais.    

B.M.

Sonhos

Caminho dia e noite por trilhas tortuosas.
Obscurecidas pelas sobras e pelos medos.
Meu corcel e negro e minhas asas da cor do ébano.
Meu coração não poderia ser de outra cor .
Mais ainda assim rogo.
Pelos pecados de outrora e pela misericórdia.
Mais em minha memoria.
Queimam as lembranças, de um sonho.
De uma miragem. De um milagre.
E tudo nela me remetia a luz.
Me levava a ela.
E dela eu me lembrava.
Como o sol que incendeia o horizonte.
E seu toque quente como o aço em brasa.
Doce como mel.
Seu toque.
E dela desejei o beijo.
Que me irradiasse paixão e queimasse os lábios.
Com o toque estalado de um beijo selado.
De caricias na pele, que para o sonho me leve.
Horo, dia e noite, pelos lábios que me guiem pelos caminhos tortuosos.
Pelas trilhas de desastre, e que das laminas de meus inimigos me afaste.
Para que um dia á alcance.
Para que um dia á tenha nos braços.

B.M.

Sombras

Sombras.
Haviam marcas na escuridão.
Marcas que se moviam nas paredes de pedra.
Lá fora o vento soprava.
Me chamava com seu sussurrar.
E eu o segui.
A grama molhada.
O toque frio das pedras sob meus pés.
E o reflexo do luar.
Um espelho esplendido de água.
E elas me acompanhavam.
As sombras.
As sombras.
Que se moviam e me cercavam.
E o lago elas reivindicaram.
E me tiveram como sua testemunha.
E elas se moviam.
Fantasmas de fumaça.
Perdendo-se no breu.
Perdendo-se na neblina.

B.M.

Segredos

Existem segredos entre os amantes?
Sim...
Acho que sim, ao menos, segredos fúteis talvez, mas ainda assim segredos.
Sabe...
Os meus são fúteis, disso não há duvida.
Mera convenção de orgulho e vaidade, sabe, é incrível como somos  vaidosos.
Orgulhosos?
Nem se fala, tudo em nos exala defeitos, você inconstante, eu orgulhos, Você explosiva, furiosa, eu, bem, indiferente.
Ao menos é o que me dizem, Mais acho que somos simplesmente tolos.
Ambos.
Tolos e imaturos.
Como poderíamos ser diferentes, opostos e tão parecidos, mais nada consegue me fazer sentir como sinto, quando você me inunda com as besteiras que diz, como me controla fácil! E ainda assim a julgo uma tola? Acho que não!
Mais nosso teatro e convincente, estando onde estamos, Sendo quem somos e ainda assim sem sermos.
Cheios de segredos, ao menos um para o outro.
Não sei como explicar na verdade, talvez não existamos ou talvez apenas sonhamos apenas sonhamos nossos segredo e todo o resto.
Apenas...
Um sonho um do outro...É eu sei... Não faz sentido, mais quem disse que deveria fazer?
Para nos basta sermos um o segredo do outro, longe, distantes... ao alcance das mãos, e quem sabe das caricias.
Mais não dos lábios mesmos em meus mais fortes sonhos.
Não dos lábios, Este é meu segredo, já que te sentir.
A muito deixou de ser.


B.M.

Retira de mim.

Retira de mim.
Retira de mim.
Desejo desesperado.
Medo descontrolado.
Impulso de ter-te.
Retira de mim.
Paixão e amor.
De um gesto sedutor.
Hipnotiza e desvanece.
E de mim tudo consegue.
Com sorriso febril.
De amor o servil.
De desejo escancarado.
E de morte desesperado.
Na sequencia da roda.
De uma vida sem rota.
De um homem sego.
De vício sincero.
Do toque.
E da carne.
Do beijo suave.
Caricias gentis.

E sonhos servis.
B.M.

Resplandece.

Resplandece.
Lua que resplandece solitária, guia meu caminho, madrinha de prata, protetora dos apaixonados, toma em sua luz meu peito gélido.
Doce, será teu  toque em meus sentimentos, quente, será o vibrar dos corações desesperados, vertiginoso, o alcance dos sonhos de desejo e amor, mais sem toda a paixão escarlate, aterradora será a solidão da qual partilhamos ambos, enterrados em seus mundos gélidos, ambos separados de suas almas, e como pode, existir dor tão lancinante que me coroe por dentro, transformando sonhos em torturas, e medos, esses reais, que tocam meu peito como dedos estendidos, sugando cada sentimento doce e quente para transformar-me nesta sombra que aqui se entrega, e que aqui implora pela benção de teu acalento prateado.


B.M.

Redenção

eu sou aquele que busca nas estrelas a redenção de um destino de pesares e dores.
De um coração ferido e desesperado por um amanha que nunca vem.
E pelos sonhos de outrora que me atormentam como os fantasmas de dias que já se foram e nunca voltaram...
Pelas ruas que passei e pelos desafios que venci...
Das pedras que chutei pelo caminho e as quedas que tomei me trouxeram aqui.
Mas onde estou e quem me tornei?
Se não alguém que se quer se reconhece quando olha o espelho lamacento das poças pelo caminho.
Não me tornei nada além de uma sombra.
Um eco dos desejos descontrolados de um coração sonhador.
E desesperados busco nas estrelas redenção.
De sonhos e vitorias.
Dos medos e das derrotas.
E por fim este mendigo espera tornar-se mais uma vez senhor de se!

B.M.

Perdido.

Perdido.
Hoje me vejo perdido, perdido em sombras, perdido no limbo.
Hoje não vejo nada, não ouço, tão pouco sinto.
Hoje em meu peito mora o vácuo da solidão.
Perdido.
O pulsar do desespero comprime meu peito, rejeitando a mim mesmo.
Perdido, o grito horrorizado em minha garganta permanece preso, entalado, aranhando ferindo e escarnecendo de mim, com o gemido gutural que me inflama.
Não há mais luz, vento, frio ou calor.
Hoje não há futuro, presente tão pouco futuro.
Destino, esse que me trouxe aqui.
Mais para que? Céus!!!
Como posso olhar para frente? Se nem ao menos sei para onde seguir.
Se sequer posso sentir o caminho sob meus pés. Como poderei dar o primeiro e derradeiro passo dessa jornada desregrada de caminhos divergentes e bifurcações  na estrada.  
Ignorado pelas intempéries   da vida, esquecido pelo regalo dos prazeres.

Perdido... Perdido...

B.M.

Pecados.

Pecados.
Dia após dia vivemos enquanto esquecemos o por que vala apena viver.
Dia a dia escolhemos os caminhos que faram nossos corações pararem de bater.
Caminhos tortuosos, por via escuras, lamacentas,meras valas das impurezas rejeitadas por criaturas não mais puras que nos.
E fazemos tais escolhas pela pura arrogância, ignorância.
Destruindo sonhos e substituindo-os por ideais insonsos.
Esquecendo ideais, palavras leais.
Juramentos e compromissos.
Se perdem por isso?
O que e isso pelo qual arrisco tudo?
Ganância, orgulho, enquanto isso deixamos espectros em jubilo.
Em deleite, por saber que iram saborear nossas almas pedaço a pedaço.
E ainda assim nus entregamos em hipocrisia, em mascaras.
Julgamos os próximos e cometemos os mais velhos pecados.
Da carne, da alma, não faz diferença afinal.
São pecados, nem maiores, nem menores, apenas pecados.
Esquecemos, honra, lealdade, amor e paixão.
Esquecemos verdades, coragem e compaixão.
Esquecemos que todos somos irmãos.
Mesmo sem religião.
Mesmo sem perdão.
E não importa se existem céus ou inferno.
Nosso laço e eterno.

B.M.

Anjo Caído.

Anjo Caído

Eu que anseio pelos céus, cultuo o som do vento em meus ouvidos e o tropel de um coração livre, me mantenho aqui preso no chão, com as asas de uma maldição, pois que seja, são negras as minhas penas, sim, brado aos céus, não sei qual meu pecado mas ainda assim oro pelo perdão.Neste deserto vil, o roncar do relâmpago é o grito desesperado que ecoa em minha garganta, cada gota que cai do céu cinzento como a lamina, de meu carrasco são as lagrimas que me foram negadas, e o próprio desalento a tortura imposta.
Sou...paladino...sim, sou paladino...amaldiçoado...sim, carrego em minhas asas negras a maldição e o medo, em meu coração a esperança, nos meus olhos a luz e na minha alma a vontade de vencer.
Posso ser o arauto das trevas mas não a guardarei, lutarei...vencerei e morrerei para destruí-la.

B.M. 

Alegria.

Outro dia acordei e vi que tudo estava diferente.
É diferente, fora do normal, não sabia bem explicar como, mais era como ver através de um filme antigo, é aqueles em preto e branco.
Com tudo em tons assim, ai fui escrever, e vi, não avia caderno ou notboock, encontrei sobre a mesa pena e pergaminho, meu diário, minha letra, da pra acreditar, feita em tinta e desenhada num pergaminho, todo enrolado, as letras? Elas eram negras, as frases poesia, e minha memoria um devaneio, eu... não sabia onde estava o sonho, onde estava o real, e pra falar a verdade não importava, ate... ate que a vi. É... ela estava lá e seus cachos também. Seus olhos me viram antes que a visse.

Aquele tom de âmbar, mais opaco, apagado, e de repente meus olhos é que brilharam, e as letras, essas permaneceram negras, mais suas frase fizeram sentido, sua poesias se acendia em mim, e eu a vi. O âmbar agora faiscava, e ela lia, as cartas e a magia, e se quer sabia que cada letra negra era sua e só sua, minha alegria.   
B.M.

Os reis.

Os reis.

Vivo num mundo estranho, cheio de contradições gritantes, onde verdades são inconstantes e valores variantes.

Num mundo de capital, da moeda de ouro prata ou bronze, ou seja metal, divido minha vida e períodos, de tempo ou lamento, tanto faz afinal.

Me perco entre os parcos espaços, perdido em embaraços, e de pés descalços caminho entre reis, do petróleo do mercado e isso e tudo o que sei.

Mas nas variantes inconstantes de uma vida de altos e baixos no qual se encaixa de acordo os salários, não o trabalho, que na verdade e ao contrario, quanto mais se faz menos se tem, e assim bem não enriquece ninguém, ninguém além dos reis não sei se inglês os francês, mais os reis, até os sem coroa ou pátria, da bandeira jurada, seguem a malfadada injuria da ambição.


que cega e trata como escravos os pobres coitados que a ela se submetem, e por ela se repetem e repetem, em câmera lenta, o mesmo em ação veloz, mas sempre os mesmos discursos, só que em outra voz. 
B.M.

Oi

Eu te vi hoje! É nas ruas. Mas eu estava só de passagem, andando sem destino como sempre, e cheguei aqui.
É aqui. Segui meus pés, será que foi o destino? Ou apenas coincidências? Bem não faz diferença, estou feliz em te ver, sabe o sol já esta se pondo, e a vista do mirante e incrível, será que você não quer vir comigo?
Pro favor não me interprete mal! Eu, eu só quero sua companhia. Me disseram que se ficarmos em silêncio, enquanto o sol se põem, vamos conseguir ouvir ele chiar. É chiar, há não ria, quando ele toca o mar sabe, chiiiiiiiiiiiiii, vem vamos, vamos ouvir o sol.

Caminhar com você e muito lega, sabe se foi o destino, eu tenho muito o que agradecer... é. Por que? Como assim por que? Ue te encontra foi demais, e agora sabe, não caminho só.   
B.M.   

O Perfeito.

Dia após dia esperei sonhador.
Por uma amor que não veio.
Por uma virtude esquecida.
Por uma companhia apaixonada.
E olha onde estou?
E vejam todos quem eu sou?
Todos os dias me fiz do melhor.
Dos sonhos ao pó.
todos os dias sempre seguindo honra e amor.
Coragem e lealdade.
E onde isso me levou.
Eu sou o único de minha espécie.
Esquecido cavaleiro solitário.
Sem brasão, sem estandarte.
Em minhas armas.
Essas não passam de devaneios e palavras.
Do cálice que me embriaga.
Das virtudes e da farsa.
De ser um nobre entre plebeus.
Meu sangue é tão vermelho quanto o seu.
Mas eu sou o único de minha espécie.
Eu sou o único desolado.
Esquecido e detestado.
Isso quando não motivo de piada.
Por acreditar em frases como lealdade.
E eu sou o único mas que surpresa ham!
Pois os outros foram devorados por um mundo desleal.
Por lobos e pelo chacal.
Que se escondem nas trevas.
Raposas ardilosas e ervas perigosas.
Que se disfarçam .
Nos enredam e por fim atacam.
Com presas longas e garras afiadas dilacerando nosso peito.
E eu sou o perfeito.
O idiota perfeito que se entrega nu gracejo.
De ajoelhar-se ante o altar.
Que por fim sua tumba cela-rá.
B.M.


O perdão.

Passei dias e noites em oração.
Orando pelo perdão.
De sonhos letais.
De vontade reais.
De amor e luxuria.
Que só cresce e fere.
Em meu amago.
Em meu peito.
Na minha carne.
E veja só o grande.
 E poderoso eu.
Postado ao chão.
De joelhos e prece.
Por uma coisa tão banal.
Meu amor desleal.
Meu sentido imoral.


B.M.

O Menino.

O Menino.
Eu sou o cavaleiro de coração valente.
Que se refrega em desejo ardente.
Sofre e chora.
Mais ainda assim luta.
Teme e hesita.
Mesmo quando o medo não se justifica.
Mas que também erra em agir livremente.
Eu.
Eu sou o corcel valente.
Que se perdeu ao correr livremente.
Enquanto isso o destino...
O destino não aguarda.
 Mas caminha em direção a pastagens fartas.
Em outra região.
E eu... é eu, sou o menino sonhador que olha o céu e ora por amor.
Mas que teme a decepção, por tanto hesita sem ambição de crescer e viver.
De amar e sofrer, de ter-te aqui.
De... de te fazer sentir a pele queimar apenas ao tocar.
Com dedos apaixonados num caminho transtornado.
Da ternura ao avassalamento de fora e fazer-te sentir por dentro.
É mas sou eu...
O que espera e ora.
E se perde na demora.

B.M.

O graal.

O graal.
O sangue de deus, tratado como objeto.
Agora descaça, escondido em nevoas, em brumas que trilham caminhos ocultos...
E nas loucuras do homem, tesouro e riqueza, gloria e poder, se confundem sem distinção.
Ganância apodera-se de corpos e almas na mais sagrada busca.
E com sua benção pequemos, uns contra os outros, matemos uns aos outros, e por fim só o digno vivera.
Banhado em rios carmesins do sangue dos hereges que atravessarem seu caminho.  E ele erguerao divino graal.
E dele a benção do poderoso.
Transbordará, como o sangue de seu herdeiro, que na cruz padeceu, e cuja o receptáculo dos céus aparou o derramamento de todo o seu sofrimento.
Trazendo ao pútrido pecador, assassino sem valor, detentor das virtudes da morte, o herlequim, cavaleiro do caído, a benção dos céus.
O graal, e sua igreja fajuta, que usaram com desculpa, seu conhecimento, seu dever comotrilhas de poder, transformar-se e enriquecer.  Excomungando-me por ser leal ao coração fiel.

E por tanto sou, o herege pecador de trilhas de dor, sem sangue cauterizando a pele, do ferro e brasa á roda e dela a fogueira, para que os santos assistam meu retorno as trevas e ao inferno, enquanto o caído escarnece e sorri pelo mundo transtornado e destorcido que vi.

B.M.

O Bosque

O Bosque
Um bosque de folhas laranja bronze me cercava.
E seus sons, seu toque e a ele pertencia.
Em cada passo me encontrei.
Em cada folha me reconheci.
E dela retirei minha esperança.
Refletida no olhos que me olharam por segundos apenas.
Mais que me viram como nem um outro.
E neste bosque me entreguei.
E a aquele olhar.
E só a ele.

B.M.

O Anjo.

O Anjo.
Eu vi um anjo certa vez.
Ele estava escondido as sombras de uma alta torre, a torre da igreja, que se erguia muito acima de todos nos, alguns diziam que seu pináculo tocava as nuvens.
E ele estava lá, sentando, e com o rosto entre os joelhos, suas asas... a elas eram negras, mesmo a forte luz da lua, e ele tinha longos cabelos negros, que pendiam soltos, a mercê da brisa noturna, mais não era um sonho, acho.
Eu caminhava desolado pelos becos escuros lá em baixo, as nuvens que passavam lentamente e quase paravam sob a lua, escureciam ainda mais meu caminho, pelos becos sem luz.
Haviam muitos como eu? Acho que não.
Mais ao menos nos os loucos sabemos o que realmente é real, e aquela visão era, posso afirmar, e ele... bem ele me viu. E foi como se estivéssemos separados por nada mais do que alguns passos, pois vi as lagrimas escorrem por seu rosto pálido, e acho que para ele minha expressão não foi das mais amáveis.
Ele se pós de pé, deu curtos passos pela beirada, como se estivesse a poucos centímetros do chão, e depois, quando uma nuvem passou deixando-o nas sombras por apenas um instante, ele sumiu.
E nada mais era como antes, as sombras, eram diferentes, e não havia nada onde ele estivera, nada, nada além de uma longa e negra pena, que rodopiou na brisa, dançando, e foi caindo preguiçosamente, eu corri, o máximo que pude, e pouco ante da bela pena negra atingir o chão me atirei... como tudo, agarrando-a e protegendo-a, e como ela eu estou ate hoje.
Não sei que mensagem o renegado anjo negro carregava, ou o motivo de suas lagrimas, mas gosto de pensar que mesmo minha cara de espanto lhe transmitiu algo, algo diferente, e algo que só meu coração conhecesse.
E onde estiver anjo negrooro por ti, e imploro que rogue por mim, eu seu cumplice, eu seu amigo, pois segue em mim, mesmo que não o veja mais, segues em mim.

B.M.  

Naufrago.

Naufrago.
A terra que tenho sob meus pés reivindica meu caminho, o vento que me envolve, meus sentidos, e por fim me engana, e na anciã de respirar me afogo em agonia que se ergue como as ondas de um mar revolto.
Me empurra e oprime, e a deriva como naufrago, volto-me em oração, deixo que fluam em mim os sentimentos reprimidos, os sonhos perdidos, os amores esquecidos e  por um segundo apenas.
Liberto minha alma que pelos céus galopou e ela encontrou, e com ela sorriu, e com ela dormiu e comeu.
E de tão triste que lembrou, que não mais a tocaria, não mais  sentiria seu  calor, voltou.
E ela tornou-se em mim e naufrago que sou, busco em minha solidão, meu caminho, minha direção.

Para que aqueles braços tornem a me tocar, para que aqueles lábios tornem a me aquecer.

B.M.

Misericórdia

Misericórdia.
Do desejo surge o medo.
Do passado as lembranças que me matam.
E do tempo á tortura.
Do teu toque a vida.
E de teus lábios o veneno.
Que me embriaga e alucina.
Da tua pele o veludo macio e lancinante.
Das tuas caricias o desespero.
e de teu beijo a misericórdia.


B.M.

Marcas e runas.

Marcas  e runas.
As marcas dos anjos foram escritas nos céus.
Runas de fogo talhadas nas estrelas .
Testemunhos de corações perturbados.
Segredos selados no âmago, o combustível dos astros.
Incandescem e tomam como seu limiar ou nirvana .
As paixões irresistíveis de dias mundanos.
Nas promessas de amor eterno.
De comunhão e felicidade.
De certeza de nunca estar só.
Mesmo no breu.
Mesmo no limbo.
E com essas letras de fogo marquei minhas juras.

Nas confidencias de meus sentimentos.

B.M.

Luxuria.

Luxuria.
Por que este desejo me surpreende.
Queima meu peito tão ardente.
Juro que me contenho, sobe a febre de te querer.
Seus olhos me instigam hipnotizam mantendo-me  preso a você.
Quem es alem da tentação, que feitiços usou bruxa de olhos âmbar.
Que de mim o coração roubou, Olha e queima, toca e mata, rouba meus sorrisos.
Instiga meu pecado, desejo de possuir a carne que me irá destruir.
Por que es assim e tudo me faz esquecer.
Porque não vens aqui e de mim rouba logo o viver.
Não. Mas tortura toques e caricias de luxuria.
Vida vendida pelo prazer vida que daria pra lhe ter.
Como sois tolo entregar minha razão, mas como posso não faze-lo.

Se não mais pertence a mim esse coração.

B.M.

Prazer.

Prazer.
Sou aquele que escreve sob a fachada do anonimato.
Aquele que busca nas estrelas o caminho a direção.
Um sol onde descobrir calor.
Uma lua para quem uivar amor.
Enquanto dias se completam.
Em meu amor e ódio eterno.
Me desfaz só pra refazer em seu prazer.
E eu continuo aqui.
Só a seguir.
Os desmandos e mandamentos.
De corações e contentos.
Enquanto você aposta em mim.
E me diz assim.
Sem dizer.

Só pro meu prazer.